A Ferrari entrou de vez na era elétrica, mas o primeiro impacto da nova Luce não foi exatamente o que a marca esperava. O modelo, apresentado como o primeiro carro 100% elétrico de produção da fabricante, chegou com preço estimado em € 550 mil, algo perto de R$ 3 milhões, antes de impostos e configurações.
O problema é que a conversa saiu rapidamente da ficha técnica e foi parar no visual. Nas redes, a Ferrari Luce viralizou entre críticas, comparações pouco elogiosas e comentários chamando o modelo de “o mais feio da marca”.
A reação pesou até no mercado. Segundo a Reuters, as ações da Ferrari chegaram a cair mais de 8% após a apresentação, em meio à repercussão negativa sobre o desenho e o posicionamento do elétrico.
Ferrari Luce chega com mais de 1.000 cv e mira nova fase dos superluxuosos
A Luce não é um elétrico discreto. O modelo foi apresentado com proposta de alto desempenho, cinco lugares e uma leitura diferente do que muitos fãs esperam de uma Ferrari.
Entre os pontos já revelados, o carro aparece como uma tentativa de levar a marca para um público que busca luxo, tecnologia e eletrificação, sem depender do ronco tradicional dos motores a combustão.
A Ferrari também defendeu o preço alto. O CEO Benedetto Vigna afirmou que a Luce não substitui os modelos a combustão ou híbridos, mas amplia a linha da marca em uma nova direção.
Mercedes-AMG entra na briga com conceito elétrico extremo
A rivalidade com a Mercedes ganha força porque a AMG já mostrou o Concept AMG GT XX, um protótipo elétrico com proposta agressiva e linguagem de desempenho.
Segundo a Mercedes-AMG, o conceito trabalha com potência acima de 1.000 kW, carregamento ultrarrápido e velocidade superior a 360 km/h.
Modelo
Proposta
Destaque
Ferrari Luce
elétrico superluxuoso
cerca de € 550 mil
Mercedes-AMG GT XX
conceito elétrico de performance
mais de 1.000 kW
Porsche Taycan Turbo GT
sedã elétrico esportivo
rival já vendido em alguns mercados
Visual da Ferrari virou o centro da polêmica
A Ferrari tentou transformar a Luce em símbolo de futuro. Porém, a estreia mostrou como a identidade visual ainda pesa muito em marcas emocionais.
No caso da Ferrari, o público não cobra apenas desempenho. Cobra desejo, proporção, tradição e presença. Quando um carro de milhões não entrega essa sensação à primeira vista, a rejeição aparece rápido.
A Luce pode até encontrar compradores, especialmente entre clientes de alto poder aquisitivo que querem exclusividade. Ainda assim, a primeira impressão já colocou a Ferrari em uma posição rara: a de precisar defender um carro antes mesmo de ele virar objeto de desejo.