Escândalo na GM: empresa teria lucrado US$ 20 milhões com dados de clientes

Escândalo na GM: empresa teria lucrado US$ 20 milhões com dados de clientes

A General Motors (GM) está enfrentando um dos maiores escândalos de privacidade da história recente da indústria automotiva.

Uma investigação conduzida por órgãos de justiça dos Estados Unidos revelou que a montadora lucrou aproximadamente US$ 20 milhões (cerca de R$ 98 milhões) de maneira irreggular.

De acordo com as investigações, a GM estava vendendo informações sigilosas de seus clientes para empresas de corretagem de dados, sem o devido consentimento ou transparência.

O esquema, que operou com maior intensidade entre 2020 e 2024, envolveu o repasse de hábitos de condução e localizações precisas de centenas de milhares de motoristas, violando a confiança de usuários.

Como funcionava a venda de dados

O centro do escândalo reside no serviço de conectividade OnStar, especificamente em uma funcionalidade chamada Smart Driver. Através desse sistema, a GM coletava uma gama profunda de informações dos veículos, que incluíam:

  • Comportamento ao volante: Velocidades médias, acelerações bruscas e padrões de frenagem.

  • Geolocalização: Registros detalhados de GPS que mostravam trajetos diários e endereços residenciais.

  • Dados Pessoais: Nomes, números de telefone e e-mails dos proprietários.

Essas informações eram comercializadas com corretoras de dados como a Verisk Analytics e a LexisNexis Risk Solutions.

O objetivo final era municiar seguradoras de automóveis com perfis detalhados de risco, o que poderia influenciar diretamente no valor das apólices pagas pelos consumidores.

O ponto mais crítico é que a GM afirmava explicitamente em suas diretrizes de privacidade que não vendia dados de localização ou de direção, induzindo milhões de motoristas ao erro.

Multa recorde e punições severas

Em maio de 2026, o Departamento de Justiça da Califórnia anunciou um acordo histórico para encerrar o processo civil contra a montadora.

A General Motors foi condenada a pagar uma multa de US$ 12,75 milhões, a maior penalidade já aplicada sob a Lei de Privacidade do Consumidor da Califórnia (CCPA).

Além do valor financeiro, as punições incluem medidas drásticas de reparação:

  1. Exclusão Massiva de Dados: A GM e as corretoras compradoras são obrigadas a destruir todos os registros de condução coletados indevidamente, a menos que obtenham um consentimento explícito e inequívoco de cada motorista.

  2. Banimento de Vendas: A empresa está proibida de vender dados de condução para agências de relatórios de consumo por um período de cinco anos.

  3. Programa de Auditoria: A montadora terá que implementar um sistema de conformidade de privacidade robusto, com relatórios regulares enviados às autoridades.

A resposta da General Motors

A porta-voz da GM, Charlotte McCoy, declarou que o acordo encerra as discussões sobre o produto Smart Driver, que foi oficialmente descontinuado em 2024.

A empresa afirma que está revisando seus processos internos e que o foco atual é fortalecer a transparência com o cliente, garantindo que novos termos de uso sejam claros e ofereçam controle total ao proprietário do veículo.

Este caso amplia o histórico de problemas da montadora com órgãos de proteção.

Em janeiro de 2025, a Comissão Federal de Comércio (FTC) já havia imposto restrições à GM após constatar que a espionagem digital sobre os motoristas era uma prática sistêmica.

O desfecho de 2026 serve como um alerta para todo o setor automotivo sobre o uso comercial de informações geradas por carros conectados.

Inscrever-se
Notificar de
guest
0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários
Entrar no canal do Whatsapp Entrar no canal do Whatsapp
esau julio
Escrito por

esau julio

Esaú Júlio é jornalista formado pela UNICAP. Ex-Globo Esporte (TV Globo) | NE10 (SJCC) — Blog do Torcedor & Política. Passagens por BlogDoZá e Futebol Brasil. Redes sociais: IG: @esaujs | X: @Esau_Julioo