Há 15 anos, Nissan lançava maldição sobre brasileiros para atingir Amarok e Toyota

Em 2011, a Nissan colocou no ar um dos comerciais mais lembrados da publicidade brasileira. A campanha “Pôneis Malditos”, criada para divulgar a Nissan Frontier, transformou uma disputa de potência entre picapes médias em um fenômeno de internet.
A ideia era simples e provocativa: enquanto a Frontier destacava seus 172 cavalos, as picapes concorrentes eram representadas por pôneis coloridos, frágeis e pouco dispostos a enfrentar barro e lama.
Na prática, a Nissan mirava o coração do segmento de picapes médias. No meio, nomes como Toyota Hilux, Chevrolet S10, Mitsubishi L200 Triton, Ford Ranger e Volkswagen Amarok disputavam espaço com força entre consumidores rurais, aventureiros e profissionais.
Nissan usou humor para provocar Toyota, Amarok e outras picapes médias
A campanha não citava diretamente os rivais, porém o recado era claro. A Frontier queria se vender como a picape dos “cavalos de verdade”, enquanto os concorrentes ficavam presos à imagem dos “pôneis” no motor.
Naquele momento, a Toyota Hilux era uma das grandes referências do segmento, com imagem forte de robustez e confiabilidade. Já a Volkswagen Amarok, lançada pouco antes no Brasil, surgia como uma rival nova e mais sofisticada entre as picapes médias.
Por isso, o comercial funcionou tão bem. Ele transformou uma ficha técnica, geralmente fria para o público, em uma provocação fácil de entender e difícil de esquecer.
A “maldição” nasceu no final do vídeo e virou meme nacional
O detalhe que fez a campanha explodir foi a versão para internet. No fim do vídeo, um dos pôneis dizia que quem não compartilhasse o comercial com 10 pessoas ficaria com a música presa na cabeça.
Essa era a chamada “Maldição do Pônei”. A brincadeira aproveitava a lógica dos compartilhamentos em redes sociais (que começavam a galopar no país) e ajudou o vídeo a circular rapidamente. Em pouco tempo, “Pôneis Malditos” virou bordão, paródia e assunto entre os brasileiros.
A campanha também gerou reclamações ao Conar pela associação entre pôneis, palavra de apelo infantil, e o termo “malditos”. O processo, porém, acabou arquivado.
| Ponto da campanha | Como funcionava |
|---|---|
| Produto anunciado | Nissan Frontier |
| Ano de lançamento | 2011 |
| Gancho principal | 172 cavalos contra “pôneis” dos rivais |
| Alvos indiretos | Hilux, Amarok, S10, Ranger e L200 |
| Viralização | “Compartilhe com 10 pessoas” |
| Resultado | Meme nacional e alta repercussão |
Comercial ajudou a Nissan a ganhar força no Brasil
A campanha não ficou restrita ao humor. Segundo a Exame, após “Pôneis Malditos”, as vendas da Nissan cresceram 81% em agosto de 2011, enquanto a Frontier alcançou seu maior volume desde a chegada ao mercado brasileiro.
Assim, a “maldição” virou um caso raro: um comercial de picape que saiu do universo automotivo, entrou na cultura popular e ainda ajudou a marca a ganhar visibilidade contra rivais muito mais tradicionais.
Quase 15 anos depois, a música ainda é lembrada porque a Nissan encontrou o ponto exato entre provocação, humor e simplicidade. Para atingir Toyota, Amarok e outras picapes médias, a marca não precisou citar nomes, bastou colocar pôneis cantando dentro do motor.
Moysés Batista é editor de conteúdo no FDR, com foco em finanças pessoais, benefícios sociais, políticas públicas e direitos do cidadão. Bacharel em Letras pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), atua com foco na produção de conteúdos informativos orientados por dados oficiais e normas do Governo Federal. É responsável por análises e pautação sobre programas sociais, crédito, previdência e consumo, com ênfase em clareza, serviço ao leitor e verificação de informações públicas. E-mail para contato: [email protected]