Corte de R$ 150 mil no Mustang levanta dúvidas em motoristas brasileiros

Após a redução do chamado “imposto interno” na Argentina, o Ford Mustang GT teve queda de até US$ 25 mil no país. Convertido, o valor pode se aproximar de R$ 130 mil a R$ 150 mil, dependendo do câmbio.

A redução não foi promoção nem ação isolada da montadora. Ela ocorreu após uma mudança tributária promovida pelo governo de Javier Milei, que alterou a cobrança sobre veículos de maior valor.

Close Up do Ford Mustang
Corte de R$ 150 mil no Mustang ─ Imagem: Divulgação/Ford

O impacto foi imediato nas tabelas das fabricantes, reacendendo no Brasil um debate antigo: quanto do preço de um carro é imposto?

O que mudou no imposto argentino

O chamado “impuesto interno” incidia sobre veículos acima de determinadas faixas de preço.

Em alguns casos, a alíquota chegava a 35%, elevando drasticamente o valor final de modelos importados e de maior porte.

Com a reforma, a faixa intermediária (20%) foi eliminada e a alíquota máxima caiu para 18%, segundo informações divulgadas pela imprensa argentina especializada.

Na prática, isso abriu espaço para reduções que variam entre 15% e 20%, dependendo do modelo e da versão.

Quais modelos tiveram cortes relevantes

A Ford Motor Company foi uma das primeiras a repassar oficialmente os novos valores.

Além do Mustang, também registraram reduções:

  • Ford Bronco
  • Ford F-150

Os cortes variam conforme a configuração, mas o ponto central é claro: a redução foi consequência direta da mudança tributária, não de reposicionamento comercial isolado.

Por que isso repercute no Brasil?

O caso argentino deixa evidente como a carga tributária influencia o preço final. No Brasil, por exemplo, a composição envolve:

  • IPI

  • ICMS

  • PIS/Cofins

  • Imposto de Importação

Em muitos modelos, os tributos podem representar entre 30% e 40% do valor final ao consumidor.

Quando a alíquota cai, o preço acompanha. Quando ela sobe, o consumidor absorve.

A dúvida que começa a circular

A redução ocorreu exclusivamente no mercado argentino, dentro de uma política econômica específica.

Ainda assim, o episódio levanta uma pergunta inevitável entre motoristas brasileiros: se a carga tributária pesa tanto na formação do preço, até que ponto o valor pago aqui reflete custo industrial ou estrutura fiscal? E por que não é possível fazer isso no Brasil?

É essa comparação que ganha força nas conversas do setor automotivo.

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